Em entrevista Armando Monteiro diz que PT é quem escolhe o próprio caminho, elogia Marília Arraes e diz que sempre esteve aberto ao PT

Em entrevista Armando Monteiro diz que PT é quem escolhe o próprio caminho, elogia Marília Arraes e diz que sempre esteve aberto ao PT

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Do blog do Magno Martins

É natural o PT ter candidato próprio em Pernambuco?
Eu vejo com naturalidade que o PT busque e encontre o seu melhor caminho. Todo partido, em diferentes momentos, precisa fazer uma avaliação de cada circunstância, de cada tempo histórico. Portanto, um partido que tem em Pernambuco tantos e tão valorosos quadros terá sempre muitas opções. Eu vejo o nome de João Paulo como um nome que tem muita densidade do ponto de vista eleitoral e vejo também despontando com muita força a vereadora Marília Arraes, que é um quadro que alia tradição, pela história de sua família, combatividade, firmeza. Portanto, o PT dispõe de quadros para, a depender evidentemente da definição do partido. Como eu disse, cada circunstância é uma circunstância. No passado, o PT priorizou muito as alianças. Cabe agora ao partido definir, na perspectiva de 2018, qual é a melhor estratégia: seguir numa política de alianças ou buscar uma opção de maior identidade partidária.

O senhor contava conta com o PT no seu palanque?
Eu sempre disse que nossas alianças foram feitas historicamente nesse campo. Eu uma relação com o presidente Lula, não só pessoal, mas que traduz o muito que ele fez por Pernambuco. Portanto, mantivemos um diálogo sempre. Ao longo desse tempo, estaremos sempre à disposição para construir um caminho nesse campo. Mas entendo, volto a dizer, que o PT pode ter outras opções, que são próprias de uma avaliação das atuais circunstâncias do partido.

Na eleição passada, eu lembro que o senhor e seus aliados sempre defendiam a tese de múltiplas candidaturas. Seria o caso agora também?
Eu não chegaria nesse ponto. Você definiu o processo de 2016, que havia uma circunstância e a perspectiva de candidaturas independentes, já dava um sinal claro que poderiam se afastar da aliança governista. Foi, aliás, o que ocorreu, com as candidaturas de Priscila Krause (DEM) e Daniel Coelho (PSDB). Ali, naquele momento, tinha uma estratégia para aquela circunstância. A gente não pode antecipar 2018 claramente pela posição, mas essa é também uma hipótese que deverá ser examinada.

Mas já houve iniciativa da parte do senhor de procurar o PT?
Eu mantenho um canal permanente de diálogo com o PT que nunca foi interrompido. Há poucas semanas, estive com o companheiro João Paulo. Vou estar nos próximos dias com o presidente Bruno Ribeiro. Mantemos um canal permanente, fazemos avaliações, portanto eu não terei nunca, em qualquer circunstância, dificuldade de dialogar com os companheiros do PT em Pernambuco.

Tem alguém interessado nesta intriga, nesta separação do senhor com o PT?
Eu não faria essa aposta de intriga, até porque considerando a relação construída com PT em nível nacional com as suas maiores lideranças, presidente Lula, presidente Dilma. Quem tiver apostando nessa intriga vai se dar mal, porque acho que nós temos a preservar algo que ao longo do tempo nós pudemos construir juntos e que, portanto, essa construção em qualquer hipótese deve ser merecedora da consideração e do respeito de todos.

Mas uma aproximação do senhor com o DEM de Mendonça Filho e o PSDB de Bruno Araújo não afasta consequentemente o PT?
Eu sempre situei essa questão na perspectiva do diálogo, que tem que ser amplo. Não se pode circunscrever. Se você olhar a história recente de Pernambuco verá quantas alianças foram feitas até em campos rigorosamente opostos. Política é a arte de construir alianças. O importante é que você possa construir alianças em torno de uma proposta e de uma agenda comum. Eu não tenho preconceito nem cultivo preconceitos e tenho graças a Deus boas relações com várias lideranças políticas de Pernambuco, inclusive essas lideranças do DEM e do PSDB.

O senhor desponta agora em um cenário muito parecido com 2014, quando estava à frente em todas as pesquisas. Não seria o momento de unir todo mundo da oposição em torno da sua candidatura?
Há um processo aí que está em movimento, o processo de forças que se descolaram da aliança governista e estão à procura de um projeto. E há aqueles partidos, onde nós nos incluímos, o meu partido por exemplo, que estão claramente colocados, desde 2014, no campo de oposição. O que importa agora é que a gente possa caminhar cada um com suas identidades. Mas, volto a dizer: eu sempre cultivei a política de alianças. E construir alianças significa não ter preconceitos e não fazer uma política de exclusão.

As eleições de Ipojuca e de Belo Jardim são sinais de que a população está acenando para o PTB também em 2018?
Acho que há duas situações aí, primeiro que há sempre uma preponderância de fatores locais. Nesses dois municípios já havia um sentimento de mudança que se expressou nas candidaturas do PTB, felizmente. Por mérito dos candidatos e pelo sentido das candidaturas. Mas também não posso negar que não há um sentimento, hoje, crescente em Pernambuco, de oposição ao atual Governo do Estado. Porque é um governo que não fez as entregas, é um governo que não correspondeu às expectativas. Por isso mesmo que, nesses dois municípios tão importantes e tão estratégicos, o governador sequer participou dos processos eleitorais. Isso significa que, em grande medida, o governador, hoje, é um “contra-eleitor” e por que é um “contra-eleitor”? Porque tem um Governo mal avaliado.

O governador tem tempo para se recuperar?
Eu respeito muito o tempo. Apesar desse imenso passivo que o governo do estado acumula, exatamente por falta de resposta aos graves problemas de Pernambuco como segurança, saúde, entre outros, mas é evidente que o governo sempre pode recuperar-se.  Aiás, eu queria dizer que eu não gostaria nunca de capitalizar, do ponto de vista político, algo que corresponda a um déficit de ação do Governo do Estado. Pensando no Estado, eu mesmo desejaria que o Governo melhorasse o seu desempenho.

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